Pára-quedistas
A Prece do Pára-quedista


Dai-me, Senhor, o que Vos resta.
Dai-me o que nunca ninguém Vos pede.
Eu não Vos peço o repouso,
Nem a tranquilidade,
Nem a da alma, nem a do corpo.
Eu não Vos peço a riqueza,
Nem o êxito, nem mesmo a saúde.
Eu quero a incerteza e a inquietude,
Eu quero a tormenta e a luta...
E concedei-mas, Senhor,
Definitivamente
Que eu tenha a certeza de as ter para sempre,
Porque não terei sempre a coragem
De Vo-las pedir.
Dai-me, Senhor, o que Vos resta.
Dai-me o que os outros não querem.
Mas dai-me também a coragem
E a força e a fé...


(Oração encontrada no corpo do Aspirante pára-quedista Zirnheld das Forças Francesas livres, morto em combate em 1942 no Norte de África.)



S Miguel - Padroeiro dos Pára-quedistas
















Entre os Pára-quedistas Portugueses a devoção por S. Miguel e o seu reconhecimento como padroeiro é antiga, o seu culto terá sido trazido com os ensinamentos colhidos pelos primeiros Pára-quedistas formados na escola francesa ou espanhola.
Na capela da Escola das Tropas Aerotransportadas ocupa lugar destacado uma bela imagem de S. Miguel, do século XVIII, oferecida há anos pela primeira mulher pára-quedista portuguesa (e Ibérica) D. Isabel Rilvas. Igualmente no Museu das Tropas Pára-quedistas em Tancos se encontra outra bela imagem de S. Miguel.
A  devoção  a S. Miguel  acompanhou  os  Pára-quedistas  Portugueses  nos  Balcãs,  e num dos aquartelamentos utilizados pelas tropas portuguesas, em Visoko, na Bósnia-Herzegovina, foi erigida uma pequena capela dedicada a S.Miguel.
Após  a  transição  das Tropas Pára-quedistas para o Exército a consagração de S. Miguel como Padroeiro das Tropas Pára-quedistas foi oficializada com a escolha do dia do Arcanjo - 29 de Setembro - como Dia do Comando das Tropas Aerotransportadas.


Tradições e Simbolos
A Bandeira Nacional










Após a instauração do regime republicano, um decreto da Assembleia Nacional constituinte datado de 19 de Junho de 1911, Publicado no Diário do Governo nº 141 do mesmo ano, aprovou a Bandeira Nacional que substituiu a Bandeira da Monarquia Constitucional. Este  decreto teve a sua regulamentação adequada, publicada no diário do Governo n.º 150 (decreto de 30 de Junho).

A Bandeira Nacional é bipartida verticalmente em duas cores fundamentais, verde-escuro e escarlate, ficando o verde do lado da tralha. Ao centro, e sobreposto à união das cores, tem o escudo das armas nacionais, orlado de branco e assentado sobre a esfera armilar manuelina, em amarelo e avivada de negro.


O comprimento da bandeira é de vez e meia a altura da tralha. A divisória entre as duas cores fundamentais deve ser feita de modo que fiquem dois quintos do comprimento total ocupados  pelo verde e os três quintos restantes pelo vermelho. O emblema central ocupa metade da altura da tralha, ficando equidistante das orlas superior e inferior.

A escolha das cores e da composição da Bandeira não foi pacífica, tendo dado origem a acesas polémicas e à apresentação de várias propostas. Prevaleceu a explicação constante do Relatório apresentado pela Comissão então nomeada pelo governo a qual, num parecer nem sempre heraldicamente correcto, tentou expressar de uma forma eminentemente patriótica este Símbolo Nacional.


Assim, no entender da Comissão, o branco representa “uma  bela  cor fraternal, em que todas as outras se fundem, cor de singeleza, de harmonia e de paz “ e sob ela, “salpicada pelas quinas (...) se ferem as primeiras rijas batalhas pela lusa nacionalidade (...).  Depois é a mesma cor  branca que, avivada de entusiasmo e de fé pela cruz vermelha de Cristo, assinala o ciclo épico das nossas descobertas marítimas”.


O vermelho, defendeu a Comissão, “nela deve figurar como uma das cores
fundamentais por ser a cor combativa, quente, viril, por excelência. É a cor da conquista e do riso. Uma cor cantante, ardente, alegre (...). Lembra o sangue e incita à vitória”.

Em relação ao verde, cor da esperança, dificilmente a Comissão conseguiu justificar a sua inclusão na Bandeira. Na verdade, trata-se de uma cor que não tinha tradição histórica, tendo sido rebuscada uma explicação para ela na preparação e consagração da  Revolta  de 31 de Janeiro de 1891, a partir da qual o verde terá  surgido no  “momento decisivo em que, sob a inflamada reverberação da bandeira revolucionária, o povo português fez chispar o relâmpago redentor da alvorada”.


Uma vez definidas as cores, a Comissão preocupou-se em determinar quais os
emblemas mais representativos da Nação para figurarem na Bandeira.

Relativamente à esfera armilar, que já fora adoptada como emblema pessoal de D. Manuel I, estando desde  então  sempre  presente  na  emblemática nacional, ela consagra “a epopeia marítima portuguesa (...) feito culminante, essencial da nossa vida colectiva”.

Por sua vez, sobre a esfera armilar entendeu a Comissão fazer assentar o escudo branco com as quinas, perpetuando e consagrando assim “o milagre humano da positiva bravura, tenacidade, diplomacia e audácia que conseguiu atar os primeiros elos da afirmação social e política da lusa nacionalidade”.

Finalmente, achou a Comissão “dever rodear o escudo branco das quinas por uma larga faixa carmesim, com sete castelos”, considerando estes um dos símbolos “mais enérgicos da integridade e independência nacional”.



O Hino Nacional




O Hino Nacional foi aprovado aprovado em Conselho de Ministros em 16 de Julho de 1957. O Hino é executado oficialmente em cerimónias nacionais civis e militares, onde é rendida homenagem à Pátria, à Bandeira Nacional ou ao Presidente da República.

Também, quando se trata de saudar oficialmente em território nacional um chefe de Estado estrangeiro, a sua execução é obrigatória, depois de ouvido o hino do país representado.


"A Portuguesa"


Heróis do mar, nobre Povo,
Nação valente, imortal
Levantai hoje de novo
O esplendor de Portugal!
Entre as brumas da memória,
Ó Pátria, sente-se a voz
Dos teus egrégios avós
Que há-de guiar-te à vitória!
Às armas, às armas!
Sobre a terra sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela Pátria lutar
Contra os canhões marchar, marchar!

Desfralda a invicta Bandeira,
À luz viva do teu céu!
Brade a Europa à terra inteira:
Portugal não pereceu
Beija o solo teu jucundo
O Oceano, a rugir d'amor,
E o teu braço vencedor
Deu mundos novos ao Mundo!
Às armas, às armas!
Sobre a terra sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela Pátria lutar
Contra os canhões marchar, marchar!


Saudai o Sol que desponta
Sobre um ridente porvir;
Seja o eco de uma afronta
O sinal de ressurgir.
Raios dessa aurora forte
São como beijos de mãe,
Que nos guardam, nos sustêm,
Contra as injúrias da sorte.
Às armas, às armas!
Sobre a terra, sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela Pátria lutar
Contra os canhões marchar, marchar!


A meia-asa


Destinada aos formandos que finalizam com êxito a Formação Geral Comum e que se encontram aptos a frequentar a Formação em Pára-quedismo Militar



O Brevet de Pára-quedista Militar

Destinado a "brevetar" os recém-formados pára-quedistas o Brevet sofreu algumas alterações ao longo dos tempos. O actual (à direita) está em vigor desde 1966. Antes deste, o desenho era o mesmo, mas o material era mais resistente, conforme se pode visualizar pelo brevet que identifica esta página (em cima à esquerda

Brevets especiais
Brevet de prata reservado para pára-quedistas com mais de 250 saltos. Normalmente atribuído a pessoal de QP (Quadro Permanente) que, ao longo da sua carreira, efectua pelo menos este número de saltos em pára-quedas.

Brevet de ouro para 500 saltos. Atribuído normalmente a pessoal que efectua mais saltos de queda livre.
Brevet de platina. Difícil de obter pela grande maioria dos pára-quedistas, uma vez que é necessário possuir no currículo cerca de 1000 saltos em pára-quedas para o obter. Normalmente concedido a instrutores de queda livre


A Boina Verde








Embora em 1952 tenha sido publicada legislação que previa a eventualidade de poderem ser integradas nas forças aéreas em operações, fazendo ou não organicamente parte delas, unidades de pára-quedistas, só em 1955 foram criadas  as Tropas Pára-quedistas.
Com efeito, em 23 de Novembro de 1955. foi publicado o Decreto-Lei nº 40394 que, na dependência do Subsecretário de Estado da Aeronáutica, em ligação com o Ministério  do Exército, organizava junto de uma das bases aéreas um centro de formação  e  treino de caçadores pára-quedistas, integrando as unidades de tropas desta especialidade cuja constituição fosse determinada pelas circunstâncias. Na mesma data o Decreto-Lei n° 40395 regulava  a Organização, Recrutamento e Serviço das Tropas Pára-quedistas, criando assim o Batalhão  de Caçadores Pára-quedistas. O artigo 20º deste Decreto-Lei determinou, pela primeira vez em Portugal (4),  o uso de uma boina como artigo de fardamento.  A Boina Verde, destinada a substituir o barrete nº 1 e o barrete de campanha, para os militares especializados em pára-quedismo. Não só se assistia à criação de  um novo artigo de fardamento, como se dava expressão legal a um símbolo já conquistado e usado  desde  9 de Julho desse ano, por cento e noventa e seis militares portugueses.  Com efeito, de 1951 a 1955, 196 oficiais, sargentos e praças foram qualificados pára-quedistas, após cursos em França e Espanha.







Os 10 Mandamentos do Pára-quedista





1º O Pára-quedista é um soldado de elite. Procura o combate e treina-se para suportar toda a dureza. Para ele a luta é a plena manifestação de si próprio.

2º  O Pára-quedista cultiva a verdadeira camaradagem. Só com a ajuda dos seus Camaradas consegue vencer, e é junto deles, e por eles, que morre.

3º O Pára-quedista sabe o que diz e não fala demasiado. A indiscrição causa, normalmente, a morte.

4º O Pára-quedista é calmo, prudente, forte e resoluto. O seu valor e entusiasmo dão-lhe o espírito ofensivo que o arrastará no combate.

5º O Pára-quedista sabe que as munições constituem o que de mais precioso tem frente ao inimigo. Os que atiram inutilmente, só para se tranquilizarem, nada valem, são fracos e não merecem o nome de Pára-quedistas.       

6º O Pára-quedista não se rende. Vencer ou morrer constitui para ele ponto de honra.

7º O Pára-quedista sabe que só triunfará quando as suas armas estiverem em bom estado. Por isso, obedece ao lema: "Primeiro cuidar das armas, só depois dele próprio".

8º O Pára-quedista conhece a missão e a finalidade de todas as suas operações. Se o seu comandante for morto, poderá, ele sozinho, cumprir a sua missão.

9º O Pára-quedista combate o inimigo com lealdade e nobreza. Mas não tem piedade dos que, não ousando lutar do mesmo modo, se dissimulam no anonimato.    

10º O Pára-quedista tem os olhos bem abertos e sabe utilizar ao máximo todos os seus recursos. Ágil como a gazela, duro como o aço, quando necessário, embora não o sendo, é capaz de agir como pirata, pele vermelha ou terrorista. Nada há que lhe seja impossível.

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Frases do curso de pára-quedismo



"O suor poupa o sangue"


"É perante o obstáculo, que o homem se descobre"


"Se é possível está feito, se é impossível há-de fazer-se"


"Audácia, prudência... Caminho para o êxito"


"Todos os páras são voluntários. Nem todos os voluntários conseguem a boina verde"



Lemas dos Pára-Quedistas


"Instrução dura... Combate fácil"    [Batalhão de Instrução]

"Que nunca por vencidos se conheçam"    [Base Escola de Tropas Pára-Quedistas]

"Deixa arder em ti a chama de ser Prec"    [Companhia de Precursores Pára-Quedistas]

"Um dobrador não erra... Nunca!"    [Companhia de Equipamento Aeroterrestre]

"Seguros e confiantes... Sempre!"    [Companhia de Abastecimento Aéreo]

"Para saber combater" [Companhia de Formação de Graduados]

Honra-se a Pátria de tal gente"    [Corpo de Tropas Pára-quedistas]

"Famosa gente à guerra ousada"    [Base Operacional de Tropas Pára-quedistas nº 2 - Aveiro]

"Gente ousada mais que quantas"    [Base Operacional de Tropas Pára-quedistas nº 1 - Monsanto]

"Adsum"  "Sempre pronto" em latim [G.O.A.S - S. Jacinto - Aveiro]

"Sempre em eficácia" [Companhia de Morteiros Pesados - S. Jacinto - Aveiro]